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Cabelo e unhas

Unha Encravada: Causas, 3 Estágios e Tratamento Definitivo

Por Dra. Letícia Fachinelli · CRM-DF 19167 · 7 min de leitura

Unha Encravada: Causas, 3 Estágios e Tratamento Definitivo

A unha encravada, chamada tecnicamente de onicocriptose, acontece quando a borda lateral da lâmina ungueal penetra na pele que a envolve, provocando dor, inchaço, vermelhidão e, com frequência, infecção. Ela atinge principalmente o hálux — o dedão do pé — e é uma das queixas mais comuns em consultório, capaz de atrapalhar caminhada, esporte e até o simples ato de calçar um sapato. O problema é que a maioria das pessoas tenta resolver sozinha, cortando o canto da unha ou cutucando com alicate, e é exatamente aí que o quadro se transforma em um ciclo de recidivas. Este guia mostra por que a unha encravada aparece, como identificar cada estágio e quais tratamentos realmente resolvem de forma definitiva.

Sumário

  • O que é unha encravada
  • 7 causas da unha encravada
  • Os 3 estágios da onicocriptose
  • Sintomas e sinais de infecção
  • Erros que pioram o quadro
  • Tratamentos dermatológicos
  • Como cortar a unha corretamente
  • Grupos de maior risco
  • Perguntas frequentes

O que é unha encravada

Na onicocriptose, existe um desequilíbrio entre a largura da lâmina ungueal e o leito que a sustenta. A borda da unha passa a funcionar como uma lâmina que perfura a dobra lateral do dedo. O organismo reage a esse corpo estranho com inflamação: surge edema, dor à pressão e, se bactérias colonizarem a ferida, secreção purulenta.

Se a agressão se repete por semanas, o corpo tenta cicatrizar formando um tecido de granulação — aquela “carne esponjosa” avermelhada que sangra ao toque e cresce sobre a unha. Nesse ponto, a unha encravada deixou de ser um problema passageiro e passou a exigir tratamento cirúrgico para resolver de vez.

7 causas da unha encravada

  1. Corte incorreto — arredondar os cantos ou cavar a lateral deixa uma espícula que cresce para dentro da pele. É, de longe, a causa número um.
  2. Calçados apertados e de bico fino — comprimem lateralmente os dedos e empurram a pele contra a unha.
  3. Formato herdado da unha — lâminas muito curvas, em telha ou pinça, encravam com facilidade mesmo com corte correto.
  4. Trauma repetitivo — corrida, futebol, dança e esportes de impacto, além de pancadas isoladas no dedo.
  5. Sudorese excessiva — a umidade amolece a pele periungueal e facilita a penetração da borda.
  6. Infecções fúngicas — a onicomicose engrossa e deforma a lâmina, alterando seu crescimento.
  7. Medicamentos — retinoides orais e alguns quimioterápicos alteram a estrutura da unha e aumentam o risco.

Os 3 estágios da onicocriptose

Estágio 1 — inflamatório

Dor à pressão, leve vermelhidão e discreto inchaço na dobra lateral. Ainda não há secreção. É a fase ideal para tratamento conservador, com altíssima chance de resolução sem cirurgia.

Estágio 2 — abscesso e drenagem

Surge secreção purulenta, o dedo late, o inchaço aumenta e caminhar se torna desconfortável. A unha encravada nesse estágio quase sempre precisa de intervenção para retirada da espícula, associada a cuidados locais e, às vezes, antibiótico.

Estágio 3 — granulação e cronificação

Formação de tecido de granulação exuberante, hipertrofia da dobra lateral e episódios repetidos de infecção. Aqui, o tratamento definitivo é cirúrgico, com destruição da matriz correspondente à borda problemática.

Sintomas e sinais de infecção

  • Dor localizada em um dos cantos da unha, que piora com o calçado;
  • Vermelhidão e calor na dobra lateral;
  • Inchaço que ultrapassa o contorno normal do dedo;
  • Secreção purulenta ou sanguinolenta;
  • Tecido avermelhado que sangra ao mínimo toque;
  • Odor desagradável;
  • Vermelhidão que se espalha pelo dorso do pé — sinal de alerta para celulite ou erisipela, que exige atendimento imediato.

Erros que pioram a unha encravada

Boa parte das recidivas nasce de tentativas caseiras bem-intencionadas:

  • Cavar o canto da unha — remove o sintoma por alguns dias, mas deixa uma ponta que volta a perfurar a pele ao crescer;
  • Cortar a unha em V no centro — não tem qualquer efeito sobre o crescimento lateral; é um mito popular sem base anatômica;
  • Usar alicate não esterilizado — porta de entrada para bactérias e para quadros como impetigo e paroníquia;
  • Aplicar pomadas por conta própria por semanas — mascara a infecção e atrasa o diagnóstico;
  • Colocar algodão embaixo da unha sem orientação — se ficar úmido e permanecer dias, favorece maceração e infecção.

Tratamentos dermatológicos para unha encravada

1. Tratamento conservador

Indicado no estágio inicial. Envolve banhos mornos com antisséptico, afastamento cuidadoso da dobra lateral, curativos específicos, uso de calçados largos e corticoide tópico para reduzir a inflamação. Antibiótico entra apenas quando há infecção comprovada.

2. Órtese ungueal

Pequenas braçadeiras de metal ou resina são fixadas sobre a lâmina para corrigir gradualmente a curvatura excessiva. É uma alternativa indolor e não cirúrgica, muito útil em unhas em telha e em pacientes que não podem operar. Exige acompanhamento por alguns meses.

3. Cantoplastia (remoção parcial da borda)

Sob anestesia local digital, retira-se apenas a faixa lateral da unha encravada que está penetrando na pele. O alívio é imediato. Como a matriz permanece intacta, a unha volta a crescer normalmente — e, se a causa não for corrigida, pode encravar de novo.

4. Matricectomia química com fenol

É a técnica com melhor relação entre eficácia e simplicidade. Após a remoção da borda, aplica-se fenol na matriz correspondente, destruindo de forma seletiva a região que produz aquela faixa da unha. As taxas de sucesso relatadas na literatura superam 90%. O resultado estético é bom: a unha fica discretamente mais estreita, sem deformidade evidente.

5. Técnicas cirúrgicas da dobra lateral

Em casos com hipertrofia importante do tecido lateral, procedimentos que ressecam a dobra — em vez de estreitar a unha — preservam melhor a largura da lâmina. A escolha da técnica depende do formato da unha, do estágio e do histórico de recidivas.

Em todos os casos, o pós-operatório é simples: curativos diários, elevação do pé nas primeiras 24 horas, calçado aberto por alguns dias e retorno às atividades habituais em pouco tempo.

Como cortar a unha corretamente

  • Corte reto, acompanhando a borda livre, sem arredondar os cantos;
  • Deixe cerca de 1 mm de unha ultrapassando a ponta do dedo;
  • Use alicate ou cortador limpo e exclusivo, higienizado com álcool 70%;
  • Lixe apenas as pontas para tirar o fio cortante, sem afinar a lateral;
  • Corte com a unha seca ou levemente amolecida — nunca encharcada;
  • Nunca peça para o profissional de manicure “tirar o canto”.

Escolher calçados com espaço adequado na ponta e trocar meias úmidas ao longo do dia completa a prevenção. Orientações complementares sobre saúde das unhas estão disponíveis no site da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Grupos que exigem atenção redobrada

Pessoas com diabetes, neuropatia periférica, insuficiência arterial ou imunossupressão nunca devem tratar unha encravada em casa. Nesses pacientes, uma lesão aparentemente pequena no dedo do pé pode evoluir para infecção profunda, úlcera e complicações sérias. A avaliação médica precoce é obrigatória, mesmo diante de dor leve.

Perguntas frequentes sobre unha encravada

Unha encravada tem cura definitiva?

Sim. A matricectomia química com fenol tem alta taxa de sucesso e resolve o problema em definitivo na grande maioria dos casos, desde que bem indicada e executada.

O procedimento dói?

A anestesia digital elimina a dor durante o procedimento. O desconforto pós-operatório é leve e controlado com analgésico comum por um ou dois dias.

A unha fica deformada depois?

Não. A unha fica apenas alguns milímetros mais estreita, o que passa despercebido na maioria das pessoas.

Posso continuar treinando?

Atividades de impacto devem ser suspensas por cerca de uma a duas semanas após a cirurgia, conforme a evolução do curativo e a orientação médica.

Quando procurar um dermatologista

Procure atendimento se houver dor persistente, pus, tecido de granulação, episódios repetidos no mesmo dedo ou se você fizer parte de um grupo de risco. Tratar a unha encravada com técnica adequada evita meses de desconforto, infecções recorrentes e a frustração de resolver o problema apenas por algumas semanas.

Agende sua consulta com a Dra. Letícia Fachinelli e descubra qual é a melhor técnica para o seu caso.

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