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Cuidados diários

Fissuras no Calcanhar: Causas e 6 Tratamentos Definitivos

Por Dra. Letícia Fachinelli · CRM-DF 19167 · 6 min de leitura

Fissuras no Calcanhar: Causas e 6 Tratamentos Definitivos

As fissuras no calcanhar são aquelas rachaduras profundas que se abrem na borda do pé, incomodam ao caminhar e, nos casos mais avançados, chegam a sangrar e a servir de porta de entrada para infecção. Elas costumam ser tratadas como um problema de verão e de chinelo, resolvido com uma lixa e um creme qualquer — e é exatamente por isso que voltam todos os anos. As fissuras no calcanhar têm mecanismo definido, causas identificáveis e tratamento com ordem certa.

Sumário

  • Por que o calcanhar racha
  • 7 causas mais comuns
  • Sinais e estágios
  • Quando não é só ressecamento
  • 6 tratamentos para fissuras no calcanhar
  • Rotina de cuidado que evita a recaída
  • Erros que pioram o quadro
  • Quem tem diabetes
  • Quando procurar a dermatologista
  • Perguntas frequentes

Por que o calcanhar racha

A pele do calcanhar é a mais espessa do corpo e não tem glândulas sebáceas, o que a deixa dependente da barreira lipídica e da umidade retida na camada córnea. A cada passo, o coxim de gordura do calcanhar se espalha lateralmente e a pele precisa acompanhar esse movimento. Quando ela está desidratada e engrossada, perde elasticidade: em vez de ceder, ela abre. É assim que nascem as fissuras no calcanhar — a partir de um calo ressecado que não consegue mais se deformar.

Esse detalhe explica por que hidratar sem tratar o espessamento raramente resolve, e por que lixar sem hidratar faz a pele responder produzindo ainda mais queratina. O tratamento eficaz age nas duas frentes ao mesmo tempo.

7 causas mais comuns

  1. Calçado aberto no calcanhar: chinelos, tamancos e sandálias deixam a borda livre para se espalhar a cada passo.
  2. Ficar muito tempo em pé e sobrepeso, que aumentam a pressão sobre a região.
  3. Xerose e pele naturalmente seca, agravada por banho quente e demorado.
  4. Idade: a produção de lipídios e a renovação celular caem com o tempo.
  5. Diabetes: a neuropatia reduz a sudorese nos pés e a sensibilidade, criando o cenário perfeito para fissuras profundas que passam despercebidas.
  6. Hipotireoidismo e carências nutricionais, que alteram a queratinização.
  7. Doenças de pele: psoríase palmoplantar, eczema e micose em padrão de mocassim.

Sinais e estágios

As fissuras no calcanhar evoluem em degraus previsíveis, e reconhecer o estágio ajuda a escolher a intensidade do tratamento:

  • Estágio inicial: pele áspera, esbranquiçada e descamativa na borda, ainda sem dor. É o momento ideal para intervir.
  • Estágio intermediário: calosidade amarelada, linhas superficiais visíveis e sensação de aspereza que engancha na meia.
  • Estágio avançado: fissuras que atingem a derme, com dor ao caminhar, sangramento e risco de infecção bacteriana, como a erisipela.

Quando não é só ressecamento

Alguns detalhes indicam que existe outra doença por baixo. Descamação fina, esbranquiçada e persistente em toda a planta, atingindo as laterais como um mocassim, sugere micose — e o tratamento com hidratante sozinho não resolve. Placas avermelhadas com escamas espessas que também aparecem em cotovelos ou joelhos apontam para psoríase. Coceira intensa com bolhas laterais nos dedos lembra disidrose. E unhas grossas, amareladas e quebradiças ao lado das fissuras costumam significar onicomicose associada, que funciona como reservatório do fungo.

6 tratamentos para fissuras no calcanhar

1. Queratolíticos

Ureia em concentrações mais altas, ácido salicílico, ácido lático e alfa-hidroxiácidos afinam a camada espessada e, ao mesmo tempo, retêm água. São a base do tratamento e devem ser usados diariamente por semanas, não por dois ou três dias.

2. Emolientes oclusivos

Aplicados à noite, seguidos de meia de algodão, seguram a água na pele durante o sono. É a etapa que a maioria pula e a que mais acelera o resultado. Vale o mesmo princípio da hidratação cutânea do restante do corpo, com veículos mais espessos.

3. Desbridamento profissional

A retirada controlada do tecido espessado, feita por profissional habilitado, alivia a pressão sobre a fissura e permite que os ativos penetrem. Em pacientes diabéticos, esse cuidado é obrigatoriamente assistido.

4. Curativos e selantes de fissura

Nas rachaduras profundas e dolorosas, curativos oclusivos e adesivos líquidos aproximam as bordas, reduzem a dor imediata e criam ambiente para a cicatrização.

5. Tratamento da causa de base

Antifúngico quando há micose confirmada, corticoide tópico em eczema e psoríase, controle glicêmico no diabetes e correção de tireoide. Sem isso, as fissuras no calcanhar retornam em poucas semanas.

6. Correção biomecânica

Palmilhas, calcanheiras de silicone e troca do calçado aberto por modelos que envolvem o retropé reduzem o impacto e a expansão lateral da pele — a origem mecânica do problema.

Rotina de cuidado que evita a recaída

  • Banho morno e curto; água muito quente remove os lipídios que faltam.
  • Secar bem entre os dedos, prevenindo micose interdigital.
  • Aplicar o queratolítico à noite e o emoliente logo em seguida, com meia.
  • Usar a lixa com moderação, sempre na pele úmida e nunca até sangrar.
  • Manter as unhas cortadas retas e o pé bem calçado nas atividades do dia.
  • Reavaliar o quadro a cada troca de estação, quando o clima seco costuma reativar as rachaduras.

Erros que pioram o quadro

Lâmina de barbear e gilete são o erro mais perigoso no cuidado com fissuras no calcanhar: removem tecido demais, sem controle de profundidade, e abrem caminho para infecção. Lixar a seco em pele muito espessa provoca microtraumas que estimulam ainda mais calosidade. Aplicar hidratante entre os dedos favorece maceração e fungo. E usar receita de conhecido com corticoide potente por conta própria pode mascarar uma micose e piorá-la de forma silenciosa.

Fissuras no calcanhar em quem tem diabetes

No paciente diabético, as fissuras no calcanhar deixam de ser um incômodo estético e passam a ser um problema de segurança. A neuropatia reduz a sudorese na planta do pé, o que resseca ainda mais a pele, e ao mesmo tempo diminui a sensibilidade — de modo que a rachadura evolui sem doer. Somando a isso a cicatrização mais lenta e a maior facilidade de infecção, uma fissura banal pode se transformar em úlcera em poucas semanas.

  • Examinar os pés todos os dias, inclusive a sola, com auxílio de espelho se necessário.
  • Hidratar diariamente calcanhares e plantas, sem aplicar entre os dedos.
  • Nunca lixar, cortar calosidade ou usar produtos abrasivos por conta própria.
  • Não andar descalço, nem dentro de casa.
  • Procurar atendimento imediatamente diante de vermelhidão, calor, secreção ou fissura que não fecha.

Nesse grupo, o tratamento é feito em conjunto com o controle glicêmico e, sempre que possível, com acompanhamento podológico especializado.

Quando procurar a dermatologista

Procure avaliação quando as fissuras no calcanhar sangram, doem ao caminhar, não melhoram após semanas de cuidado adequado, apresentam vermelhidão ao redor, calor ou secreção — e sempre que houver diabetes, alteração de sensibilidade nos pés ou problema circulatório conhecido. Como reforça a Sociedade Brasileira de Dermatologia, no pé do paciente diabético qualquer lesão exige avaliação precoce.

Perguntas frequentes sobre fissuras no calcanhar

Fissuras no calcanhar são causadas por falta de vitamina?

Carências de zinco, ferro e ômega-3 podem contribuir, mas na maioria das pessoas a causa principal é a combinação de pele seca, espessamento e pressão mecânica.

Posso usar ureia todos os dias?

Sim, nas concentrações indicadas para os pés e conforme orientação. A dose e a frequência mudam quando há fissura aberta, porque o produto pode arder.

Escalda-pés ajuda?

A imersão breve em água morna amolece a pele e facilita a aplicação dos produtos. Banhos longos e muito quentes, porém, ressecam ainda mais.

Em quanto tempo melhora?

Com tratamento correto, o alívio da dor costuma vir em poucos dias e a pele se reorganiza em três a seis semanas. A manutenção é contínua.

Rachadura no calcanhar pode infeccionar?

Pode. A fissura profunda rompe a barreira da pele e permite entrada de bactérias, com risco de celulite e erisipela, especialmente em pernas com má circulação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta dermatológica. Fissuras persistentes ou dolorosas devem ser avaliadas por médica dermatologista.

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